• Equipe Jardim Secreto

Empreendedorismo por Priscila Cortez


Continuando nossa série de entrevistas da semana. Hoje trouxemos a visão da Pri Cortez, fundadora da Maria Tangerina, colaboradora do Grupo Jardim Secreto e co-criadora do Ateliê Transforma.


- Quais as dificuldades de ser uma mulher empreendedora no Brasil?

A demanda diária de empreender é muito grande, a gente se divide em mil pra atender todas as frentes da empresa, se culpa por não conseguir fazer tudo do jeito que gostaríamos e quando tem um filho nessa equação, geralmente as coisas não fecham.

Quando eu engravidei a Maria Tangerina estava num momento de recomeço, nos mudamos pro interior pra investir na marca e fazer isso com a cabeça fresca, e tivemos que dar uma pausa no plano. Os 9 meses de gestação foram também 9 meses de planejamento sobre como seria a Maria Tangerina no futuro e agora, que o Nico tem 8 meses, as coisas estão efetivamente acontecendo. 

Quando eu voltei de licença maternidade (direito da mulher MEI - micro empreendedora individual <3) entendi que precisaria mudar muitas coisas pra que eu não ficasse louca nem me deixasse de lado. 

Eu tenho apoio da minha família e ajuda de uma babá pela manhã pra conseguir colocar as coisas nos eixos, mas em muitos momentos me sinto culpada por estar trabalhando e não estar com o meu filho. Diversas vezes eu amamento respondendo email no celular, resolvendo algum pepino com fornecedor... Se ele fica doente, ou fica mal depois de tomar vacina meu dia e todas as minhas demandas ficam pausadas até ele ficar bem, e aí eu em sinto culpada em relação ao trabalho. Mas entendi que pra ter tempo de qualidade com ele preciso que cada coisa tenha sua hora, e estou aprendendo a lidar com isso. 

Gosto de colocar que o meu recorte de mãe empreendedora é extremamente privilegiado, eu posso fazer escolhas, tenho uma família amorosa que nos acolhe, um marido que é meu sócio e cumpre seu papel de pai, condições financeiras de ter uma babá carinhosa que o meu filho adora, e mesmo assim é difícil.


- Você tem dicas para que outras pessoas também passem a apoiar as cenas independentes? 

Apoie o trabalho de quem você gosta e te inspira. Apoiar não precisa necessariamente ser comprar. Você pode ir lá na rede social e seguir, curtir uma foto, comentar. Indicar pros amigos, contar porque você admira o trabalho daquela pessoa. Ir lá e falar diretamente pra pessoa porque o trabalho dela mexe com você. Muitas vezes quem está na batalha diária de fazer um trabalho independente acontecer fica desmotivado, engolido pelas burocracias e pequenas chatices do dia, e escutar um incentivo já muda tudo!


- Acreditamos que o futuro é coletivo, o que essa frase significa para o seu cotidiano na prática? Se ainda está distante da sua realidade pode compartilhar com a gente qual a sua opinião sobre o que mudaria se as pessoas vivessem mais a colaboração/ o coletivo?

Tem um provérbio africano que diz "É preciso uma aldeia para criar uma criança" e pra mim ela é o maior símbolo do que o coletivo significa, e só como mãe eu pude vivenciar isso de verdade. Uma criança demanda muita atenção e é muito difícil que apenas duas pessoas atendam essa demanda sozinhos, é necessário que toda a comunidade que os cerca esteja junto para que essa criança se desenvolva de maneira saudável, apoiando os pais, ajudando e estando ali realmente para o que essa família precisar. Hoje eu tenho a felicidade de dizer que estou vivenciando isso, vivendo perto da família do Thiago que nos apoia diariamente e com a minha família sempre visitando e fazendo o possível para ajudar mesmo que de longe, e tem sido muito especial sentir essa força do coletivo!

Outra experiência - No universo do empreendedorismo eu me senti muito sozinha e perdida no começo, em 2013 pouco se falava sobre empreender em pequena escala e tudo que eu consegui encontrar sobre o assunto era em inglês e voltado para o mercado do feito a mão internacional. Logo no início da Maria Tangerina conheci o Jardim Secreto e visitei a primeira edição. Na segunda edição participei como expositora e foi uma experiência única, eu lembro de me sentir quase como se estivesse num primeiro encontro, estava eufórica de participar de um evento que eu me identificava com as outras pessoas que participavam. Dessa primeira experiência na Feira JS pra frente conheci mais de perto os expositores e muitos viraram amigos da vida mesmo. Aprendemos juntos a colaborar, sem essa ideia de que somos competidores, e muita troca acontece desde então. Muitas vezes a gente pode aprender com o erro do outro e com a experiência do outro, mas isso só é possível a partir do momento que nos abrimos pra essa troca verdadeira de conhecimentos e ideias!




© 2018 CRIADO E DESENVOLVIDO POR STEHANTONOFF

  • Branca Ícone Instagram
  • Branca ícone do YouTube
  • Branco Facebook Ícone